A vida e o desespero
As pessoas comuns, quando se veem diante do desespero, se refugiam na religião. Os intelectuais, na psicanálise, na terapia, quer dizer, na confissão ateia, embora haja aqueles que misturam psicologia com misticismo.
Porém, por mais distintos que sejam os dois refúgios, são lugares que servem apenas para alimentar mais a fraqueza, a escravidão, porque sempre é incutido o desejo da ilusão, da mentira da civilização de encontrar o salvador. Do salvador que tira o desespero de estar sozinho no mundo, que ficou no inconsciente desde o nascimento quando no momento de se ver no mundo, apareceu alguém para alimentar e proteger.
Diferentemente do refúgio, que funciona como um búnquer, uma prisão repleta de carcereiros é a fuga, a saída do eu, a criação de um novo mundo, em suma, a arte. Lá onde não existe lugar fechado, desejo de salvador, de seio da mãe e o desespero é metamorfoseado em arte, pois se sabe que o pânico nada mais é que a música do deus dos bosques, e as notas da sua melodia são as leis da natureza. E a natureza do artista nunca é estar parado diante desse som desesperante, mas dançando para celebrar a vida.
Marcos Ribeiro

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